Trump quer punir quem fizer comércio com o Irã: quais produtos do agro o Brasil compra e vende para lá?
13/01/2026
(Foto: Reprodução) Miriam Leitão: Brasil tem superávit com Irã e pode sofrer com novas sanções de Trump
O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (12) que vai impor uma punição a países que fizerem negócios com o Irã.
Segundo a medida, os Estados Unidos cobrarão uma sobretaxa desses países quando os mesmos fizerem transações com o mercado americano (saiba mais sobre a tensão entre EUA e Irã ao fim da reportagem).
➡️ Mas qual é o peso do Irã para o agro brasileiro?
Nas exportações, o Irã ocupou a 11ª posição entre os países para os quais o agro brasileiro mais vendeu em 2025, conforme o Agrostat, banco de dados do Ministério da Agricultura.
O país respondeu por 1,73% das exportações do agro no ano passado, somando US$ 2,9 bilhões, e se colocou próximo de clientes como Japão, Egito, Turquia, Indonésia, Índia e México.
Já nas importações, o Irã é apenas o 42º maior fornecedor de produtos ligados ao agro para o Brasil, segundo o Agrostat. Mas é um importante exportador mundial de ureia, um fertilizante.
Os fertilizantes são essenciais para o cultivo e o Brasil depende de importações, tendo Rússia, China e Canadá como principais fornecedores, com volumes bem acima do Irã.
Este tipo de sanção, normalmente, não inclui alimentos e seus insumos, caso de fertilizantes e do milho, usado em ração, explica Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA. Contudo, como a ordem executiva não foi publicada, não é possível afirmar que eles serão excluídos da taxa.
Exportações
Os principais produtos que o Irã comprou do agro brasileiro em 2025 foram milho e soja, de acordo com o Comexstat, que reúne estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).
O país foi o principal comprador de milho brasileiro em 2025, correspondendo a 23% das vendas brasileiras do produto, aponta o Comexstat.
Caso o Brasil precise evitar o país e encerrar esse tipo de comercialização, é possível redirecionar o milho brasileiro para outros clientes, mas será preciso vender a um preço mais baixo, afirma Queiroz.
Importações
Em 2025, foram comprados US$ 11,9 milhões de produtos ligados ao agro vindos do Irã, grande parte em adubos e fertilizantes químicos.
Mesmo assim, menos de 0,5% dessas importações de 2025 vieram do Irã, apontam dados do Comexstat. Rússia, China e Canadá são os principais fornecedores de fertilizantes para o Brasil.
Considerando apenas a ureia, o Irã foi responsável por apenas 2% das compras brasileiras em 2025, segundo dados do Itaú BBA. Os principais fornecedores do produto são a Nigéria, Rússia e Catar, respectivamente.
Queiroz explica que o Irã já é alvo de outras sanções comerciais, por isso, realiza um tipo de triangulação com os fertilizantes: vende para países vizinhos e estes comercializam para o Brasil. Deste modo, é possível fugir da penalidade.
O segundo maior percentual de importações do Irã foi de frutas secas.
Tensão EUA x Irã
Nos últimos dias, Trump tem dado sinais de que os EUA podem interferir na onda de protestos que se espalha pelo Irã. Desde o fim de dezembro, milhares de pessoas têm ido às ruas nas principais cidades do país contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.
Segundo o WSJ, a Casa Branca avalia uma proposta de última hora para conter o programa nuclear iraniano. O tema esteve no centro da guerra entre Israel e Irã, em junho de 2024, encerrada após um ataque americano.
Os protestos no Irã já deixaram mais de 600 mortos, segundo organizações de direitos humanos. Mais de 10 mil pessoas foram presas até esta segunda-feira. Em meio às manifestações, o governo iraniano ordenou o corte da internet, isolando o país.
Imagens mostram corpos enfileirados em frente a necrotério do Irã após repressão
Tarifaço para o Brasil foi retirado
Em 2025, o Brasil sofreu com o tarifaço imposto por Trump para empresas americanas que comprassem produtos de outros países.
Em abril, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros.
Em julho, houve um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para até 50%, com a medida entrando em vigor em 6 de agosto. Apesar disso, uma ampla lista de exceções deixou de fora da sobretaxa itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético.
Desde então, parte dos produtos brasileiros passou a pagar apenas o imposto extra de 40%, enquanto outros acumulam essa sobretaxa com a taxa de 10%.
No entanto, ambas as tarifas foram retiradas em novembro para os principais produtos do agro. Alguns ainda estão pagando sobretaxa.
Mesmo após a retirada, 22% das exportações brasileiras para os EUA ainda estão sujeitas a tarifas elevadas, e apenas 36% das vendas entram no mercado americano sem encargos extras.
Tarifas aplicadas pelos EUA.
Arte/g1